No próximo encontro, que acontecerá no Japão, em junho, o país será representado por Jair Bolsonaro, que chega ao cenário externo com a legitimidade do voto popular. Para analistas estrangeiros ouvidos pela BBC News Brasil, porém, a forte defesa do nacionalismo do presidente eleito e suas posições radicais em alguns temas podem dificultar sua capacidade de resgatar o prestígio internacional do Brasil.
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Embora ausente na cúpula de Buenos Aires, Bolsonaro já despertou a atenção dos outros líderes. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que não interessa ao seu país assinar tratados comerciais com nações que não façam parte do Acordo de Paris (compromisso para reduzir o aquecimento global).
Por causa disso, afirmou que a continuidade da negociação entre Mercosul e União Europeia dependerá da postura de Bolsonaro, que já manifestou intenção de seguir o exemplo dos Estados Unidos e deixar o acordo climático.
"No momento em que Bolsonaro chegar à sua primeira cúpula do G20, em Osaka, no Japão, ele poderá já ter aprendido que suas políticas atuais sobre mudança climática e igualdade de gênero matariam os brasileiros primeiro e o resto do mundo logo em seguida", disse à BBC News Brasil John Kirton, diretor do grupo de pesquisa do G20 na Universidade de Toronto (Canadá). / Getty Images
Bolsonaro terá dificuldades em resgatar o prestígio internacional do Brasil, dizem analistas
Temer não fica até o final, de novo
Depois de ter feito uma passagem relâmpago na cúpula do ano passado, na Alemanha, por casa das denúncias de corrupção que ameaçavam seu mandato, Temer teve apenas dois encontros bilaterais em Buenos Aires, com os primeiros ministros de Austrália e Singapura. Assim como em 2017, ele deixou o encontro antes da conclusão da última reunião de líderes.
Sua assessoria não esclareceu o motivo da volta antecipada. Segundo um diplomata do Itamaraty, o presidente "queria chegar mais cedo ao Brasil" e teria uma agenda privada em São Paulo.
Durante seu mandato, de pouco mais de dois anos e meio, Temer teve projeção internacional inferior a seus antecessores - Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016).
A previsão é que seu último compromisso internacional será a próxima reunião do Mercosul, em Montevidéu (Uruguai), dias 17 e 18 de dezembro. Com isso, deve encerrar seu mandato sem ter realizado um único encontro bilateral com os líderes das quatro maiores potenciais ocidentais - Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França.
Temer deixou o encontro antes da conclusão da última reunião de líderes
Para analistas de política externa, a perda de relevância brasileira e o menor protagonismo de Temer se explicam por vários fatores, como a controvérsia em torno da legitimidade do processo de impeachment, as denúncias de corrupção, sua alta impopularidade interna e a crise econômica que se arrasta desde o governo Dilma. full article: http://to5.me/2b
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